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ATENÇÃO!

Todas estas crónicas não têm como intenção denegrir a imagem de quem quer que seja ou ferir susceptibilidades. Apenas têm como objectivo brincar com algumas situações de forma sarcástica.
Qualquer reclamação que haja, dirijam-se ao Presidente da Republica!
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11/03/12

Não ando na noite

Podia ter sido um grande jogador de futebol, mas a verdade é que nunca o fui porque não ando na noite.
Sim, é verdade!
Foi o facto de não andar na noite que me retirou quaisquer possibilidades de ser um Xavi Hernandez, por exemplo.
Isto porque quando a noite chega, sou "obrigado" a deixar o terreno de jogo para quem sabe movimentar-se na escuridão. 
Ontem, no jogo frente à Sanjoanense, o "raio" da noite não me deixou brilhar mais uma vez.
Mal o sol se pôs e o jogo chegou ao intervalo, o mister, no balneário, disse que ia haver uma alteração na equipa. 
Quem ia sair? Eu, pois claro...
Lá tive mais uma vez que deixar o talento de lado, num jogo que até me estava a sentir bem fisicamente.
Ah, se não fosse a noite...
Até onde teria chegado?
É melhor nem pensar nisso...


26/01/12

O Treino Invisível

O que se pode entender por treino invisível?
Quando se fala na ideia de "treino invisível" no futebol, todo e qualquer atleta que pratique esta modalidade desportiva sabe que aquele conceito se refere ao comportamento individual que se pratica fora das instalações da colectividade desportiva. Esse comportamento deve ir ao encontro do cuidado positivo que se tem com a saúde física e mental. 
No meu caso, o tal treino invisível transcende em larga escala toda esta ideia anteriormente destacada. É muito mais que o treino realizado fora das instalações do clube. Aliás, o meu treino invisível começa mesmo nas próprias sessões de treino, a partir da altura em que retiro os óculos. 
Nesse preciso momento, perco o contacto com a realidade e entro no mundo do paranormal.
Isto vem a propósito do que aconteceu ontem na parte inicial do treino e que passarei a explicar.
O exercício englobava uma só bola e todos os atletas em movimento numa das metades do terreno de jogo. O atleta que conduzia a bola teria de a passar a outro, mediante as indicações do treinador-adjunto que vociferava um nome dos atletas presentes e aquele executava rapidamente o passe para a pessoa mencionada.
Está bom de ver que, no momento em que detinha a bola, ao ouvir o nome de um colega, era obrigado a parar e tentar descortinar onde andava o "gajo" para lhe poder passar a bola. Por esse motivo, a execução do passe era feita a velocidade reduzida porque tinha não de olhar no rosto, mas sim no movimento corporal do atleta em questão e nas cores do equipamento que trazia consigo. Só assim, me era possível realizar o exercício com alguma eficácia. 
Como agravante, o mister das arábias (Arménio Neves) estava muito exigente e pedia passes tensos, mas tensão só se via no rosto do pessoal que tentava executar com perfeição o que era exigido. 
Felizmente, no meio da desgraça, ainda me fui (e vou) safando com um álibi perfeito para as minhas falhas: a miopia, a minha grande amiga nos momentos difíceis.    

  

10/01/12

Ali Babá e os 40 Veteranos

Ele ocupa uma posição secundária no que diz respeito à liderança nas questões da bola.
Ele é um sub-mister!
Ele já foi um trolha da Areosa, personagem imortalizada por Rui Veloso.
Mas agora, ele é também, de acordo com aquilo que um atleta dos veteranos o chamou, o Mister das Arábias! 
Pensa-se que poderá ser a reencarnação de Ali Babá, sendo seguido não pelos 40 ladrões, mas sim pelos 40 veteranos.
À quarta-feira à noite, somos "roubados" do conforto do nosso sofá quentinho (imortalizado pelo Manuel Serra) e seguimos as ordens do Ali Babá.
Se ele diz "Abre-te Sésamo!", nós obedecemos e "abrimos as pernas" para fazer alongamentos...no treino.
Felizmente, nunca o ouvi dizer "Abre-te Sésamo!" no chuveiro. 
Seria algo perigoso, pois poderíamos escorregar.
Este Ali Babá é um líder, é um mister! 
Ele é o Ali(ménio) Babá!
Digo eu que vejo mal como o caraças...

31/12/11

Eles fogem de mim...

Para um "gajo" míope como eu, é uma verdadeira aventura jogar futebol à noite. Diria que é ainda mais arriscado do que escalar os Himalaias às 3 da manhã.
Isto vem a propósito do último treino que efectuamos na passada 5ª feira com um jogo-treino frente aos juniores do nosso clube.
Escrevo esta crónica porque me é importante que percebam que quanto mais juntinhos estiverem de mim, melhor futebol eu produzo. Não se assustem! Calma, que passo a explicar...
Ou seja, se o handicap de um míope é a dificuldade que apresenta ao ver bem a distâncias longas, então quanto mais perto estiverem de mim, melhor eu vos vejo. 
Isto porque, no último treino, num momento em que detinha a posse da bola, procurei por colegas de equipa perto de mim para lhes passar a "redondinha", mas os únicos que me rodeavam eram os "tubarões" dos juniores que me queriam roubar a mesma. 
E porque motivo não via eu os meus colegas de equipa? Porque estavam muito longe, todos a fugirem de mim...tenham calma, porque um míope "apenas" vê mal ao longe, não tem a capacidade de transmitir algum vírus infeccioso. 
Por isso, tudo o que via dos meus colegas de equipa eram imagens desfocadas, eram sombras deles mesmos.
Talvez esta questão de eu ver sombras deles, se explique pelo facto de eles serem isso mesmo: umas sombras, enquanto jogadores de futebol...se fossem verdadeiros jogadores, tudo seria nítido.
Desse modo, apenas vos digo, caros colegas de equipa, que quanto mais perto estiverem de mim, melhores jogadores de futebol se tornarão...não tenham medo e não fujam de mim.

Nota: Evidentemente que, sendo este blogue direccionado para crónicas míopes, todas estas histórias têm a particularidade e a possibilidade de não traduzirem fielmente a verdade. Não se ofendam com estas crónicas sábias e saibam entender o conceito de ironia e de sarcasmo. Um Bom Ano Novo para todos!!  

   

06/10/11

À noitinha está-se bem é na caminha...

Até agora, nas minhas crónicas, tenho falado de situações comprometedoras para a minha visão, mas que têm ocorrido apenas com a luz do dia.
Mas o que dizer de um indivíduo míope e sem óculos a praticar desporto à noite ao ar livre?
Dá para assustar qualquer pessoa, não dá?
Pois bem, isso passou-se ontem à noite comigo.
Jogo de estreia no campeonato de veteranos frente ao Canedo e logo com jogo realizado à noite.  
Não poderia desejar melhor estreia...
Mal o pessoal começou a vislumbrar o início do jogo, eu já nem a bola via...
Foram cerca de 65 minutos a concentrar-me mais no local por onde a bola passava do que na marcação ao adversário. 
Para não baixar ainda mais a minha auto-estima, eu nem sequer vou falar com pormenor de cada situação do jogo em que não via a "ponta dum corno". Apenas vou relatar um acontecimento ligeiramente diferente do normal que tem acontecido nos outros jogos. Essa situação diz respeito à minha relação com os adeptos que viam o jogo. 
Em dados momentos, em que fazia alguns cortes imperiais e anulava a acção ofensiva do adversário ou quando executava passes magistrais para espaços no campo onde não havia "alma viva", ouvia vozes vindas da bancada dizerem: "boa Carlitos"; "anda Carlitos"...
Pensei: "Está ali alguém que me conhece e vibra com as minhas jogadas! Fantástico!"
Eu, sinceramente, até sabia de quem eram essas vozes e queria muito agradecer todo o apoio prestado. O problema estava no facto de eu ter receio de olhar na direcção errada da bancada e agradecer às pessoas erradas. É que ouvir não é problema. Agora ver...Tenho a visão dessincronizada em relação ao som.
Sendo assim, limitei-me a sorrir (para mim mesmo) e a pensar como eram reconfortantes aquelas palavras. 
Agora agradecer para bancada, levantando um braço, é que não, porque corria o risco de me enganar na(s) pessoa(s) ou, pior ainda, agradecer para um local da bancada onde nem um indivíduo lá estivesse. 
Seria o cúmulo...
Desta vez, a minha vida não é (foi) tão maravilhosa sem os meus óculos...
Foi a excepção à regra.